
Em 1952, quando a televisão brasileira ainda engatinhava, os personagens do ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’, de Monteiro Lobato, apareceram pela primeira vez personificados. A escritora Tatiana Belinky, que era amiga de Lobato, escreveu mais de 350 capítulos baseados na obra infantil para a TV Tupi. Foi a primeira adaptação literária da história da televisão brasileira.
No primeiro elenco do ‘Sítio’ estavam Lúcia Lambertini (Emília), Edi Cerri (Narizinho), David José (Pedrino), Rubens Molino (Visconde) e Leonor Pacheco (Dona Benta). A atriz que interpretava Tia Nastácia era Benedita Rodrigues. Não era uma mulher conhecida do público, mas havia sido criada na casa dos Lobato. ‘Conheceu o escritor e conviveu com ele. Imagine o que isso significou para a interpretação’, conta Tatiana.
Em forma de teleteatro, o programa era apresentado uma vez por semana e ficou no ar por 13 anos. ‘As dificuldades eram enormes, não havia recursos, mas fazíamos de tudo’, conta Edi Cerri. ‘Para fazer o fundo do mar do ‘Reino das Águas Claras’ colocamos um aquário de verdade em frente de uma câmera e atuávamos atrás. No vídeo, apareciam os peixinhos na nossa frente, com bolhinha de ar e tudo.’
Edi nunca foi substituída. Viveu a Narizinho até o fim porque era pequena e parecia uma criança. ‘O único problema é que depois demoraram para acreditar que eu podia fazer papel de adulto’, conta.
O programa mereceu horário nobre e não era dirigido só ao público infantil. ‘Agradava a todos porque era uma adaptação inédita em um veículo novo’, lembra Tatiana. ‘Mas acredito que fez tanto sucesso porque era uma produção cuidadosa. Tínhamos tempo para ensaiar.’
Tatiana Belink diz que a história de Monteiro Lobato sempre será atual. ‘Ele é o pai de toda a literatura infantil brasileira. Tudo começou com ele’. Mas a escritora não acredita que a obra possa ser adaptada de qualquer jeito. ‘Uma criança não é capaz de interpretar Emília’, diz, referindo-se à atriz Isabelle Drumond, que viverá a boneca na nova produção da Globo. ‘A Emília é a própria consciência de Lobato, é preciso interpretá-la e não só dizer o texto.’
A escritora assistiu à segunda adaptação (de Geraldo Casé), e confessa que não gostou de imediato. ‘Depois de alguns episódios eles acertaram. Foi quando Marcos Rey integrou a equipe de roteiristas’, diz. ‘Notava-se que existia ali alguém que realmente entendia de literatura infantil. Rey soube interpretar o senso de humor de Lobato.’
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