A versão da editora brasiliense
Lobato dramatiza a gramática e literalmente humaniza seus termos. O verbo "ser", os ditongos e a figura retórica, por exemplo, viram gente e ganham endereço - a cidade de Portugália, a mais próxima do Sítio. A atenção que Monteiro Lobato dá a linguagem não se resume apenas a Emília no País da Gramática. Está, por exemplo, no conto O colocador de pronomes, do livro Negrinha (1920).
Desde 1998, a obra do escritor virou centro de uma disputa entre a editora Brasiliense e os herdeiros do autor, que acusavam de negligenciar a obra, com livros desmembrados em obras menores, sem tratamento editorial à altura, com cessão de edições a terceiros e publicação de obras sem autorização. Em Setembro de 2006, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu pela rescisão contratual e concedeu à Editora Globo os direitos sobre a obra até 2018, quando o patrimônio literário de Lobato ganha o domínio público.
Para manter o espírito do original, a equipe de professores, pedagogos e linguistas que preparou a nova edição de Emília no País da Gramática adequou a obra para o conhecimento mais recente na área. O mesmo tratamento será dado a Aritmética da Emília e mais seis obras de Lobato. O projeto inicial era atualizar o livro, mas se distanciava do original. Optou-se por sinalizar os trechos contextualizados.
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